Foi bastante bom para quem já leu os livros e conhece bem a história, para os outros, há coisas que podem ser confusas. As principais cenas e cenários estão muito bem e dão um bom suporte visual para os livros. Os actores fazem um bom trabalho e os efeitos especiais são excelentes (o dragão, o navio de Durmstrang e a carruagem voadora estão excelentes). Os miúdos estão a crescer, nota-se e é apropriado.
A minha favorita é a Hermione. Ela tem sentimentos muito fortes pelos seus amigos e não tem medo de os mostrar. Ela é sensata (enquanto que o Ron, citando o Harry é um 'git'), ela é segura de si mesma.. E falando de pessoas seguras de si, a Ginny sofre uma evolução muito grande. Apesar de ter poucas falas, quando fala é muito parecida com a Molly (quando repreende os gémeos) e a sua atitude no Baile é confiante e segura. A JKR está a prepará-la para outros voos...
O Ron é...é difícil descrever. Acho que o Ron é uma personagem muito importante nos livros. Ele é o termo de comparação do Harry com a normalidade do mundo dos feiticeiros (isso existe?) e também o fiel companheiro. No filme ele é reduzido ao chamado 'comic relief', o cómico. É uma sombra. Até quando discute com o Harry ('piss off', mas que linguagem é essa?!) ele é...fraco é a palavra que se me sugere. Passa a maioria do filme a olhar de boca aberta para o Harry ou para a Hermione. Uma última nota: mas que raio de penteado é aquele??!!
O nosso herói não é diferente do livro. É só que no filme, o modo como toda a gente lhe dá conselhos e o manda fazer isto ou aquilo e a sua incompetência (no sentido de que ele não consegue realizar nenhuma das tarefas por si próprio e mesmo no duelo final com o Voldemort, é o Priori Incantatem que o safa) é mais evidente do que no livro. A reacção dele à Cho Chang é gira e própria da idade. A reacção dele à morte do Cedric é também um bom momento. Normalmente, os miúdos actore têm mais dificuldade em representar sentimentos extremos (raiva, desespero...), mas o jovem Daniel vai de encontro às expectativas. Já o tinhamos visto no 'Prisioneiro de Azkaban', quer quando descobre o envolvimento dos Sirius (o seu padrinho) na morte dos seus pais, quer quando encontra o Sirius cara a cara pela primeira vez, a raiva está lá. Agora vemos o seu desespero e culpa quando regressa a Hogwarts com o corpo do Cedric. É um momento pungente e muito dramático que ele consegue representar muito bem, o que joga a favor do actor, uma vez que, nos livros nós estamos dentro da cabeça do Harry e nos filmes só as acções dele nos dizem o que pensa ou sente.
Muito pouco Sirius, muito pouco Malfoy (embora a cena escolhida para este úlyimo seja uma das melhores do livro, Malfoy o fantástico ferrão voador!) e uma boa galeria de actores secundários. A Fleur precisava de ser um pouco mais altiva, o Krum está perfeito, o Cedric é giro (pena estar morto) e a MacGonnagal a ensinar valsa fez-me partir a rir. O Neville é uma personagem muito boa que teve mais tempo de ecrã neste filme, felizmente não apenas como um idiota, tropeça-nos-próprios-pés desastrado.
A história de Durmstrang ser uma escola para rapazes e Beauxbatons, uma escola para raparigas foi um bocado decepcionante (no livro são escolas mistas)...e sexista.
O tique do Barty Crouch Jr. com a língua lembrou-me uma personagem do X-men que é meio sapo. Talvez o Trevor tenha tomado banho na poção Polijuice?...
Os restantes personagens, na essência cumpriram o seu papel sem desvios de nota.
Cena favorita: O Harry e a Myrtle na casa de banho dos prefeitos.
Pior cena: O ataque dos 'death eaters' na taça do mundo de Quidditch. Quem já leu sabe que acontece, porque acontece e quem está por detrás do ataque, mas os neófitos devem ficar completamente perdidos. Além disso, a cena é demasiado compactada.
Esperemos que no 5 e no 6 as coisas corram melhor, uma vez que não são tão cheios de acção como este.
Prémios especias:
- As entradas das escolas estrangeiras no Salão de Hogwarts, com toda a pompa e encenação (os machos de Durmstrang com os seus bastões e as donzelas suspirantes de Beauxbatons)
- Malfoy, o ferrão.
- O início do baile, primeiro com a valsa e depois com música mais 'actualizada' (seriam os 'Weird Brothers'?)
No seu todo foi um bom filme e não dou o dinheiro por mal empregue (felizmente tenho desconto de estudante, hahaha!).
Nota final - Não há uma única personagem inglesa que pronuncie Beauxbatons correctamente e o uniforme normal das meninas francesas fá-las parecer assistentes de bordo. Ainda no guarda-roupa, os death eaters pareciam membros do 'outro' KuKluxKlan.
PS - Caliope, esqueci-me de te devolver o CD do 'Eldest'. Devolvo-te quando formos ao japonês.